terça-feira, 31 de janeiro de 2012


Quando o caminho nos parece escuro, e mesmo assim decidimos percorrê-lo, pequenas coisas começam a acontecer. Ainda que a mudança na  paisagem, seja quase imperceptível, a verdade é que começamos a perceber e a sentir, as subtis mudanças... E nós mesmos, vamos mudando com ela.
Então, o que antes parecia tenebroso e assustador transforma-se, à medida que vamos avançando, num local prazeroso e soalheiro. E cada passo tem o sabor de uma pequena vitória porque, não importa o quê, voltámos a caminhar e voltámos a acreditar!


E é por isso que eu confio, V., porque te sinto a caminhar!
(e tens-nos a nós, os chatos, para te acompanhar)

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Anúncios vintage que seriam censurados, na actualidade

Nas minhas deambulações pela net, enquanto buscava imagens pela palavra vintage, descobri estes anúncios que tal como diz o título, seriam censurados na actualidade. 
Com alguns deles, fiquei boqueaberta e estupefacta. Mesmo. Logo a seguir, apercebi-me que muitos deles, ou pelo menos o juízo de valores em que eles se baseiam, continuam a morar na cabeça de muitas e muitas pessoas! Embora não o assumam abertamente, nem em voz alta, eles continuam lá. e reflectem-se nos seus comportamentos. E nem é preciso muito para perceber que isto é verdade: basta olhar à nossa volta...:P
O que eu desejo é que, um dia, eles fiquem definitivamente desactualizados /censurados nos nosso corações.





Mais no site Bored panda, em  http://www.boredpanda.com/vintage-ads/


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domingo, 29 de janeiro de 2012

sábado, 28 de janeiro de 2012

Tomem lá...


...e tenham um óptimo fim de semana!
Beijinhos.

♥ ♥ ♥

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

I guess I'm on the right track

(photo by Patrisha Tomson)

Hoje, a caminho de casa, depois de ir buscar o filhote à escola, aproveitámos (como sempre) para pôr a converseta em dia, com as perguntas do costume ("Como foi o teu dia? Portaste-te bem? O que aprenderam hoje?..."), ele interrompe-me e diz:
"Mãe, tenho uma coisa para te dizer e que me fez irritar."
"O que foi?", pergunto-lhe eu, pensando que ele se tinha chateado com a namorada ou com o melhor amigo dele ou...
"Vieram cá uns senhores à escola e deram bilhetes para ir ao circo.", diz-me ele,  com uma expressão meio carregada.
 Suspiro e digo-lhe: " Ai sim? Deixa lá ver."
"Não podes ver. Eu rasguei o bilhete."
"Então? Porquê?", respondo-lhe eu, surpreendida.
"Porquê? Porquê, mamã? Então tu não sabes que eu não gosto de ver os animais no circo, presos nas jaulas, coitadinhos. Eles não podem correr, nem brincar como eu!", diz-me ele, muito vermelho.
Eu sorrio e digo: "Pois é filho, é uma crueldade e devia ser proibido. Também não gosto nada. Já sabes o que penso sobre esse assunto."
"E sabes pior? As pessoas têm que dar euros para entrar e ver animais tristes...eu não dou, não gosto de ver animais tristes e por isso rasguei o bilhete. Ficas chateada?"
Eu sorrio muito, baixo-me, afago-lhe o cabelo e digo-lhe: "O que é que achas? Pareço-te chateada?"
Ele sorri de volta, abraça-me e lá continuamos o nosso caminho.

São conversas como estas, que me fazem perceber que estou no bom caminho  e no meu propósito de criar e educar um ser humano melhor. E me deixam orgulhosa, também :)

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Selo e convite

Há um ano atrás, nasceu o blogue "Coisas de Feltro", um espaço criado pelas mãos talentosas da minha amiga Cris. 
Hoje, fui por ela presenteada com este selo comemorativo:

Convido-vos a visitarem o blogue e a encantarem-se com as peças que ela faz :)

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ah-ah, chegou a tua vez...

(photo by Doreen Frake)

Pois é, Fada dos dentes, ficas a saber que esta noite vais ter que passar cá por casa, mais precisamente pelo quarto do filhote porque (finalmente) ele tem um dente para ti!
E nem adianta refilares ou tentares regatear, porque ele só pede que lhe pagues com uma moeda. Sem isso, não há negócio :)

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ainda acerca das sementes


Confirma-se o mérito...e estou tão feliz, por ela!



♥ ♥ ♥

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ora bem, vamos lá ver:


Sol maravilhoso + céu muito azul + filhote = passeio fora de casa.

Pequeno almoço reforçado tomado e, ala, que se faz tarde...

Tenham um óptimo domingo!

Beijinhos ツ

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sábado, 21 de janeiro de 2012

Do meu cão

(imagem da série "Game of Thrones")

Há alturas, em que a saudade dele aperta. É quase uma dôr física. Saudades do focinho dele, dos olhos meigos, da expressão meio selvagem. Da sua tontice enquanto cachorrinho (ai, tantos disparates e sobressaltos), da sua altivez e porte digno, quando adulto. 
Das cheiradelas, a meio da noite, quando ele entrava no meu quarto e depois de se certificar que estava tudo bem, saía, deitava-se no hall e soltava uma respiração mais profunda (e que eu achava sempre que era um suspiro de alívio). Da sua alegria, quando eu chegava a casa. Dos abracinhos que eu lhe dava (e ele consentia), quando eu estava triste. Das beijocas fugazes na ponta do focinho, com o intuito de o irritar, e que ele respondia com um esboço de abocanhar, que me fazia rir às gargalhadas.  Dos nossos passeios nocturnos, sob a luz da Lua ou a fugir à chuva.
Do meu cão-gato que deitava o focinho sobre os meus pés, nas noites frias de Inverno, enquanto via televisão.
Do meu cão-aspirador que apanhava todas as migalhinhas que pudessem haver pela casa. 
Do meu cão-pessoa, que me dava focinhadas de repreensão, direitinhas aos olhos, quando eu uivava para o chatear. Das patadas persistentes e irritantes (na altura, quando passei por uma fase muito complicada e me estava a fechar para o mundo), que me obrigavam a reagir e a sair do marasmo, nem que não fosse para gritar com ele. Do ar aflito com que ele aparecia na cozinha, quando o meu filhote começava a chorar no berço, ainda antes de eu dar conta pelo intercomunicador...
Tenho saudades da visão de beleza pura e selvagem que ele me proporcionava, sempre que o levava para o meio da serra de Sintra e o soltava: ficava extasiada a observar os movimentos dele e sentia sempre que ali, é que ele era verdadeiramente feliz... presenteava-me sempre com um pássaro ou um rato (ao que eu não achava piada nenhuma, mas enfim, era o seu instinto natural de caçador). 
Um companheiro de caminhadas  (o grande responsável por este vício) com uma resistência impressionante e que me dava pica: quanto mais puxava por ele, mais ele aumentava a velocidade. Inteligente ao ponto de perceber que tinha que diminuir a cadência, quando, já no final da minha gravidez, os meus movimentos se tornaram mais lentos...
Presença constante de muitas boas recordações. Foi com ele, que numa bela noite de Outubro, vi uma chuva de estrelas cadentes enquanto acariciava a barriga e falava com o meu filhote, feliz como nunca me tinha sentido antes.

Ainda tenho dificuldade em lembrar-me com serenidade do que foi o seu final, e não é assim que eu me quero lembrar dele. Porque ele, deu-me o melhor de si e é assim que eu o vejo: como o melhor cão do mundo. E como o meu primeiro filho.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Das sementes

(getty images)
Conhecem aquele sentimento de estranheza/constrangimento quando reencontram alguém de outra vida que vos diz: "Lembraste do que me disseste há muitos anos atrás? Tem-me acompanhado pela vida fora e lembro-me muitas vezes de ti. Continua a fazer tanto sentido, que nem imaginas. Quando estivermos juntos, relembro-te", e vocês ficam completamente a anhar, sem se lembrarem do que foi?
Pois, aconteceu-me ontem. E o que é mais engraçado é que tem acontecido com alguma frequência.
Hoje, vou beber chá, com outra amiga e ex-colega que me considera responsável por uma grande transformação que se deu na vida dela. Estou curiosa, confesso e meio intimidada. Porque não me acho nada disso, e ser responsável por uma mudança assim, é uma grande responsabilidade (passo a redundância). 
Além do mais, acho que na maior parte das vezes (e nestas situações), nós somos assim como que uma espécie de instrumento do universo e que as sementes que possamos lançar, só darão fruto se a terra for fértil e receptível a recebê-las.
(suspiro de conformismo) E, em última instância, se a responsabilidade é de quem semeia,  o mérito é de quem agarrou nas ferramentas e arou, regou, tratou e cuidou.


P.S: sou alérgica a protagonismo. Mesmo. E este post esteve para ser apagado: tem um piquinho a ego :P


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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Coisas que o meu irmão escreve ツ

"Miga Mágica e os Marlboros Maravilhosos

Miga acordou logo pela manhã, quer dizer, tanto podia ser de manhã como de noite, mas a verdade é que pôs o despertador para as sete porque se não pusesse nunca chegaria ao trabalho a tempo, por isso foi logo pela manhã.

O barulho da passarada da sua rua, uma daquelas ruas com nomes de cidades em África que só quem lá viveu é que sabe onde eram, invadia o seu quarto juntamente com a sirene do camião do lixo. Miga deu por si a pensar que quando o camião do lixo vinha depois da meia noite, o barulho incomodava-a e ela tinha que voltar a ligar a televisão para ver o “Die Hard With a Vengeance”, mais uma vez e pensar que quem devia ter ganho era o Simon Gruber. Mas agora que o camião do lixo vinha de manhã, isso também não a satisfazia, afinal de contas ela queria fingir que estava a ouvir as notícias na televisão e aquela sirene misturada com os pássaros incomodava-a.

À medida que lavava o seu cabelo banal com um champô de supermercado pensava no dia que se avizinhava como caixa num hiper, ainda que não fosse uma função para lá de estimulante, Miga sentia-se a fazer parte do quotidiano das pessoas cujos produtos deslizavam pela borracha mal lavada  da caixa, pequenos segredos que faziam blip ao serem reconhecidos pelo leitor e passavam a ser do freguês, porque é que uns comiam Oreos normais e outros eram lambões e compravam das que eram cobertas com chocolate de leite? É que entupir artérias por entupir artérias, o recheio das Oreos já era Crisco com aroma a baunilha e açúcar, não precisava necessariamente de um empurrão. Mas Miga fazia parte de uma pequena elite que sabia o que era Crisco e embora ela tentasse recrutar mais e mais pessoas e quisesse destruir aquele conhecimento estupidamente hermético, ninguém queria saber e além disso, ela odiava as embalagens das Oreos cobertas com chocolate, nunca passavam no leitor e ela tinha que introduzir o código à mão numa maratona digital em que o freguês começava a bufar ligeiramente como se a culpa fosse dela, como se ela quisesse ter que esforçar a vista para introduzir aquela sequência em que invariavelmente se iria enganar.

O som do secador abafou o barulho que vinha da televisão que estava ligada no quarto e ela deu por si à mesa da avó no lar decrépito onde tinha acabado os seus dias, cujos dedos trémulos seguravam um Marlboro Lights mas que ao inalado lhe dava todo um brilho especial ao seu olhar, era como o portal de tempos de outrora, antes do pai de Miga ter derretido a fortuna da família no Bingo do Sporting.

“Ai Miga… vai fazer qualquer coisa a esse cabelo.”, dizia a matriarca ignorada depois de deitar o fumo cá para fora, “Podes estar na penúria mas não ser simplória. No meu tempo era impensável sermos vistas assim!”

“No teu tempo não havia tampões com aplicador…”, respondeu Miga até se aperceber do que tinha dito. A matriarca semicerrou os olhos como uma áspide prestes a atacar, ou pelo menos da forma como nós achamos que elas semicerram os olhos antes de atacar e perguntou “O quê é que disseste?”, Miga aproveitou a deixa e corrigiu “Mal tenho tempo para usar o secador!” e a senhora deu um suspiro de alívio, mas Miga nunca sabia se os lapsos eram entendidos ou não.

“Não devia fumar…” disse enquanto tentava agarrar a mão livre da avó numa tentativa de um gesto de carinho, a senhora percebeu e afastou a mão, “Porquê? Ainda me vão matar? Olha, menos uma despesa, ou achas que a vida ainda me aguarda muitas surpresas depois de dez anos aqui dia-após-dia? Tu continuas solteira e deves ficar assim, mas com esse cabelo não admira! E por um lado ainda melhor, eu já mal tive paciência para dois netos, quanto mais aturar os bisnetos vestidos em roupas pirosas enfiados naquelas coisas que parecem ovos , no meu tempo pagava-se a pessoas para nos criarem os filhos.”

“Mas os cigarros só lhe fazem é mal!”, ela reforçou genuinamente preocupada com a mulher enrugada, de baton cor de laranja e muito blush e cujo cabelo amarelo da nicotina tinha alguns vestígios de cinza que flutuavam no ar, libertos pelo tremelicar constante, ela tossiu, voltou a tossir, limpou a boca com um lenço de papel já manchado de laranja, “Já te disse, não estou particularmente preocupada em viver muito mais e estes… são o único luxo a que me posso dar, lembram-me noites de canasta e pequenos cálices de Porto com as minhas amigas a falarmos da vida de alguém que não estava presente.” e ouvindo isto, Miga desistiu pela enésima vez de convencer a avó que fumar lhe fazia mal. Afinal de contas, esta era a mulher que só comia bróculos se os talos tivessem sido tirados minuciosamente.

“Para ti isto é um veneno, mas para mim estes Marlboros são maravilhosos. Além disso são Light, fazem menos mal.”
Miga ainda tentou relembrá-la que agora eram Gold e não Light, mas desistiu antes de começar e com isto regressou à pastelaria do centro comercial “É um Compal de pêra e um pastel de nata.” disse ao senhor por trás do balcão e teve que o gritar porque o barulho da conversa ao redor aliado à máquina do café fazia com que o bis do pedido fosse um ritual. E durante um segundo, ela olhou para a máquina dos cigarros e viu os Marlboros.

Já na caixa, aproximou-se a primeira freguesa, Miga sorriu e perguntou “Tem cartão de cliente?”, a senhora respondeu com um ar distante “Quantos menos as pessoas sabem, mais elas teimam que sabem.”, Miga ficou confusa, então a freguesa agora respondia-lhe com frases do Osho?!?, ela pigarreou e repetiu “Não percebeu, quero só saber se tem cartão de cliente?” e a cliente sorriu ainda que com o mesmo ar distante “A vida é uma piada cósmica…”, face à segunda citação do Osho, Miga encolheu os ombros e começou a passar os produtos pelo leitor e ao ver o creme depilatório de marca branca sorriu “Ah, vais ficar com os pelos nas virilhas encravados, depois quero ver se continuas a citar Osho ou se passas para a Alexandra Solnado.”, a mulher cheirava a uma mistura de neroli com flor de laranjeira e quando tirava as coisas da mala para encontrar a carteira, tirou um maço de Marlboro e Miga ficou estupefacta, os cigarros perseguiam-na.

À hora do almoço, enquanto o Anacleto do talho aquecia um guisado que perfumou a copa inteira deu por ela a ponderar se conseguiria almoçar sem respirar para não ficar atordoada com o cheiro a comida requentada, não é que ela não gostasse de guisado, mas naquele instante a copa cheirava a peixe frito, arroz de tomate, guisado, lulas recheadas, bacalhau com natas e bifinhos com natas. Ela comia sopa de legumas mas estava fria, na sua cabeça se a tivesse aquecido no mesmo microondas,  era como se tivesse macerado todos os outros alimentos no dela.

Anacleto sentou-se ao pé dela e começou o diálogo nervoso do costume, a crise, reality shows, será que o primeiro ministro usa laca e depois perguntou-lhe: “Queres jantar um dia destes?”, ela sorriu e respondeu “Costumo jantar todos os dias, não é uma questão de querer, é um hábito. Mas, sim, porque não!” enquanto ele amassava um maço de Marlboro nas mãos e foi então que Miga visualizou tudo, o vestido que mais parecia um suspiro, a família do Anacleto, os miúdos estrábicos como ele e olhou e disse “Porque não…”, correu para o balneário, trocou de roupa e saiu porta fora sem dizer ai nem ui.

Passou na tabacaria, comprou um maço de Marlboro e meteu-se num cabeleireiro, quando saiu, de cabelo loiro e triunfante, acendeu um cigarro, engasgou-se e deixou-o cair. Acendeu outro, inalou, travou, exalou e disse para si mesma, “Tinhas razão avó… sempre tiveste razão…”

Anos depois, Miga casou com um cromo financeiro, não era giro, tinha uma conversa de seca, o sexo parecia misturado com dois comprimidos de Tramal Retard e havia dias que lhe apetecia dar um tiro na cabeça, mas naquele dia quando o viu a fixá-la à medida que ela deslizava pelo varão, ela soube que era o homem com quem ela iria casar, mas isso… é uma história para outra altura. E tudo isto graças a um maço de Marlboros Maravilhosos."

Daqui e com continuação aqui

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Porque é que eu gosto de Walt Whitman


Porque entre outras coisas, escreveu assim:

"This is what you should do: love the earth and sun and animals, despise riches, give alms to every one that asks, stand up for the stupid and crazy, devote your income and labour to others, hate tyrants, argue not concerning god, have patience and indulgence toward the people, take off your hat to nothing known or unknown or to any man or number of men, go freely with powerful uneducated persons and with the young and with the mothers of families, read these leaves in the open air every season of every year of your life, re-examine all of you have been told at school or church or in any book, dismiss whatever insults your own soul, and your very flesh shall be a great poem and have the richest fluency not only in its words but in the silent lines of its lips and face and between the lashes of your eyes and in every motion and joint of your body."


Tenham um óptimo dia!
 

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domingo, 15 de janeiro de 2012

Cantas bem, mas não me alegras

(photo by Steph Fowler)

Sempre valorizei as pessoas que pouco dizem mas muito fazem, ou pelo menos, fazem. Pessoas, cujas acções são coerentes com as palavras. Podem até nem ser muito populares (porque não falam muito e tal), mas uma coisa vos garanto: são fiáveis, de confiança e sólidas.
Em contrapartida, as que muito falam, raramente fazem.
E na hora de se chegarem à frente, desaparecem, ficam muito ocupadas, indisponíveis, impossíveis de contactar, vitimas dos mais terríveis e inesperados contratempos. E dizem: "Ah, e tal, gostaria muito mas infelizmente...".
Blagh!

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sábado, 14 de janeiro de 2012

Tótó

(photo by Anna Bryukhanova)

Sou um pedaço tótó.  Desconfio que o irei ser até morrer...
Quando fico furiosa com alguém, falo, vocifero, rujo...mas depois de passar a tempestade (um bom tempo depois, que eu não sou santa), basta perceber um pinguinho de sofrimento, na voz ou na expressão da outra pessoa, para ficar preocupada. E, se me procuram ou desabafam, esqueço tudo o que ficou lá para trás e dou por mim, a tentar confortar e dar alento... 
Acontece-me sempre, não consigo evitar. Com o tempo (e as cabeçadas) aprendi a dosear o grau de preocupação que deixo sair cá para fora (porque há quem confunda isso, com outras coisas) e deixei de me entregar completamente à "missão de salvamento" (aprendi a ser egoísta: quem me "salva" a mim?) mas, não consigo não me importar.
Lá está: uma tótó!


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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Bora lá? ツ


Conheçam a organização We Day, através da iniciativa do Facebook ou /e para informações mais detalhadas, visitem o site:  http://www.weday.com/
O nosso gesto não custa nada, mas para milhares de crianças, poderá fazer toda a diferença.


P.S: antevendo eventuais criticas a donativos aos quais perdemos o rasto e não sabemos com certeza, se chegarão ao destinatário, adianto que o que faço, na minha consciência fica. O mesmo se aplica aos outros.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Os meus presentes de Natal


Ontem, enquanto desmontava a árvore de Natal com a ajuda do filhote, a cantarolar canções inventadas por nós ("Adeus árvore, até ao próximo Natal. Adeus luzinhas, que bem que iluminaram. Adeus bolinhas, adeus estrelinhas...), dei por mim a concluir que foi um bom Natal.
E enquanto embrulhava e guardava nas caixas, as bolas, os bonecos de neve, as estrelas e as fitas, também guardava no meu coração, os meus presentes deste ano:

  • As expressões de alegria e o brilho nos olhos do meu filho, enquanto desembrulhava as prendas, na noite de consoada (não deu para aguentar até à manhã seguinte.).
  • O amor dos meus amigos, as conversas, os silêncios,  as mãos dadas e o calor dos abraços.
  • O meu chama-anjos, liiiiiindo de morrer (love you, Lu)
  • O vaso de begónias,  o chá de frutos vermelhos e o carinho da minha I.
  • O doce mágico, feito pelas mãos da S. e dos filhotes, e a etiqueta que o acompanhava, tão deliciosa quanto o doce (Doce Mágico: consumir moderamente. Contem elevadas doses de Amor, Alegria, Magia, um pouco de Mistério e um desejo muito especial de Natal.).
E sorri. Sorri tanto, que o filhote me disse: "Mãe, tens que desmanchar mais vezes a árvore de Natal." :)

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domingo, 8 de janeiro de 2012

Constatação


Uma simples constatação, verdade. E se a mudança, faz parte da condição do ser humano, nem sempre ela é positiva. Mas, "contra factos, não há argumentos" e aceitá-la, faz parte do crescimento de cada um de nós.
E quando  nos faz mal, o melhor é deixar ir. Para o bem de todos.


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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Coisas que o filhote me diz

(photo by Annette Bunch)

Filhote: "Mãe, tenho uma nova namorada."
Eu: "Ai, sim? Como é que ela se chama?"
Filhote: "Joana. E eu gosto dela, de amor a sério e ela gosta de mim, de amor a sério. E andamos de mãos dadas. "
Eu, sorrindo: "Ah, eu vi. Só largaram as mãos quando chegaram ao portão da escola."
Filhote: "Sim. Não te importas, pois não? Ela deu-me um beijinho aqui (apontando para a bochecha e esfregando devagarinho). E continuo a amar-te até ao espaço sideral."

Comi-o com beijinhos enquanto ele me dava um abraço muito doce.

♥ ♥ ♥

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Às pessoas que usam as palavras, como se fossem chicletes

É do conhecimento comum que há sempre grandes probabilidades de
que o balão, nos rebente na cara :D

Ó pessoas, pessoas? Quando é que vocês percebem que há expressões /palavras que não se devem utilizar/misturar em determinados contextos? Já nem falo, do sentimento ou da vibração que delas emana ou do que elas significam, nem da reverência que lhes é devida...já nem vou por aí. Espera...afinal vou!
Se uma  determinada palavra/frase/mantra, expressa o que de mais divino existe em cada um de nós, no universo ou na fé que professamos, porque razão, as misturam com chorrilhos de disparates e discursos banais? Não percebo e também acho que vocês não percebem. Não percebem que assim, só demonstram a vossa ignorância e que não há Santa Wikipédia que vos valha. Parafraseando não sei quem:  "Uma coisa, é uma coisa e outra coisa, é outra coisa."
Querem ver exemplos? Cá vão:

"Deus me perdoe, mas foi muito bem feito! E se Deus quiser, ainda lhe há-de acontecer pior."
Deus há-de querer muito que o sentimento mesquinho da vingança, reine entre os homens, há-de, há-de.
E também é muito bom, ouvir estas palavras por alguém que supostamente, segue os ensinamentos de Deus (católico ou outro), é, é.

"São todos uma cambada de idiotas e trafulhas e deviam ir  todos apanhar no c*. Namasté."
Namasté: "O deus/divindade/vibração divina que reside em mim, saúda o deus/divindade/vibração divina que reside em ti." Há mais traduções, mas a intenção é sempre de reverência, saudação, respeito.
Tem tudo a ver.

"Detesto que [uma opinião qualquer] e odeio [mais outra coisa qualquer]. Baba nan kevalam."
Baba nan kevalam : "Tudo é Amor."
Sentimentos antagónicos, não?

Alguém consegue ver o contrasenso que por aqui vai? Eu quero acreditar que sim...
Pronto, já desabafei e não, não me vou abençoar a mim mesma porque neste momento, não sou digna: acabei de me entregar à má-língua e ao juízo de valores. Vou ali vergastar-me e lavar a língua com uma escova e sabão ou ao contrário, tanto faz. O que conta é a intenção, neste caso, a contrição.

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Revoluções tranquilas

Numa época conturbada, em que a insegurança é uma constante, em que se fala de revolução à boca cheia, no colapso da sociedade e da economia, dou por mim a pensar que a verdadeira revolução, a que tem efeitos mais duradouros, é aquela que vem de dentro de cada um de nós.
É aí que temos que mudar primeiro, se queremos mudar o que nos rodeia. Pouco adiantará depôr governos e regimes, se não se reformularem as mentalidades, se não mudarmos a forma como nos relacionamos com os outros e com as coisas.
Acredito em revoluções tranquilas, sem arruaças e violência. Acredito que podemos fazer valer as nossas opiniões de uma forma serenamente firme e assertativa. Diariamente. Persistentemente. Com delicadeza e empatia pelos outros.  Feita com pequenos gestos quotidianos, que podem fazer toda a diferença. Na nossa vida e na dos outros.
E sem nunca esquecer que tudo o que damos, recebemos. Como se de uma "epidemia de gentileza", se tratasse... contagiando o que está à nossa volta. A começar... já! :)
                                                                                                                        
               


P.S: gostaria muito que, os que vociferam aos ventos, exigindo cabeças e sangue,  me explicassem o que fariam se as suas próprias famílias e amigos, fossem vítimas destas revoluções que tanto proclamam e defendem?
Mas isto, sou só eu, que tenho a mania ...;) 

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domingo, 1 de janeiro de 2012

It's my party and I cry if I want to


Disse a mim mesma que não o iria fazer, que não iria escrever sobre resoluções para 2012 mas hoje, dei por mim, a reler posts do ano anterior... foi por esta altura que fiquei desempregada. Um ano passou, e a situação mantem-se. Não tem sido fácil, tenho passado por momentos complicados, muitas vezes, sem perceber muito bem para onde me virar, o que fazer, que direcção seguir...
Se por um lado, o subsídio de desemprego me permite viver de forma mais ou menos decente, o facto é de que nunca na minha vida, estive sem trabalhar. E isto por si só, já é motivo de alguma angústia porque me é difícil estar parada. Por outro lado, durante este ano que passou, acompanhei o crescimento do meu filho de uma forma tão intensa que me tornei ainda mais "mãe-galinha". Descobri o quanto ele me faz falta, a imensa alegria que é ser mãe dele, mesmo quando ele é chatinho e caprichoso e o companheiro fantástico que ele é. Aceito que este interregno me foi proporcionado para que eu pudesse estar (ainda) mais presente na vida dele e para que eu aprendesse a viver/sobreviver com pouco mas, ao mesmo tempo, com tanto.
Mas (e eu também me conheço), a inércia é uma tentação terrível, que mina a vontade e me pode conduzir até à beira do abismo. E se há dias em que luto ferozmente contra ela e consigo, outros há, em que fico acabrunhada, meio-perdida, sem rumo. Têm-me valido os amigos que estão sempre presentes e aos quais sou grata, por estarem no meu caminho.
Este é o ano em que tenho que dar uma volta à minha vida. A verdade é que, não estou a ficar mais nova e o mundo do trabalho, não se compadece seja lá com o que fôr. Além de que, ainda me questiono se voltarei ao mercado de trabalho convencional... Muitas interrogações, muitas dúvidas.
Está na hora de lutar e perceber qual é o meu (real) lugar no mundo.
Este é o meu grande desafio para 2012.

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