Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ando meio desassossegada...


Com vontades de não sei bem o quê. Inquieta e com impulsos de mandar tudo para o espaço. 
Irrequieta e com ganas de ir...nem eu sei para onde. Somente, ir...
Ando assim:

                        "Trago dentro do meu coração, 
                         como num cofre que não se pode fechar de cheio,
                         todos os lugares onde estive,
                         todos os portos a que cheguei,
                         todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, 
                         ou de tombalhidos, sonhando.
                         E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que quero."
                                                  
                                                 (Álvaro de Campos)


***

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Em jeito de homenagem

Comemora-se, hoje, o nascimento de Fernando Pessoa, figura incontornável da nossa cultura.
Abstendo-me de fazer mais observações, deixo-vos um poema de que gosto muito e com o qual, me identifico...




"Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.

Enquanto vou na estrada antes da curva

Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.

Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.

Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.

Por ora só saberemos que lá não estamos.

Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma."


Fernando Pessoa

***

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Fragilidade

"Talvez pudesse o tempo parar
Quando tudo em nós se precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera

Houvesse um canto pra se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade

Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve

Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar

É tudo tão fugaz e tão breve
Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra já fugiu
 
É tudo tão fugaz e tão breve."

(Mafalda Veiga)

***

sábado, 23 de outubro de 2010

É urgente


 "É urgente o amor
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor,
é urgente permanecer."

Eugénio de Andrade


***

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mesmo...


"Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas tal como os cegos, 
podem ver no escuro..." 
(Chico Buarque)


***

terça-feira, 15 de junho de 2010

Soneto do Amigo


"Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro, o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo, um pouco atribulado
E como sempre, singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..."
Vinicius de Moraes

***