Após uma conversa de hora e meia, em que o meu interlocutor, floreava frases e escolhia cuidadosamente as palavras com o claro intuito de não se expôr demasiado, fui acusada de ser "mázinha".
Adoro (!) o termo, principalmente quando ele é utilizado como último recurso e quando a argumentação se esgotou.
"Mázinha?", perguntei-lhe eu. "Mas porquê? Limitei-me a responder á primeira pergunta directa que fizeste ao longo desta conversa toda."
"Sim, és mázinha. Podias ter dito logo, desde o inicio que não estavas disponível."
(Grrrrrr...cerrar de dentes e a paciência que normalmente me caracteriza, a voar para o espaço).
"Olha, vais-me desculpar mas, no ínicio da nossa conversa, se bem te lembras, disse-te que me podias perguntar o que quisesses. Que estavas á vontade para o fazer, não foi?"
"Foi.", respondeu-me ele.
"Pois, então, porque não o fizeste?"
"Ah, as coisas não são tão simples assim...", sussurrou ele.
"Ai não? Então e aquela conversa toda de que concordavas que as pessoas deviam ser directas e honestas, e assim não perderem tempo, nem fazerem-se passar por aquilo que não são?"
"Pois, tens razão. Mas não é simples. Não sejas má.", responde o moço.
(Eu, possessa): "Pois, mas para mim é simples. E sabes que mais? É tão simples, tão simples que não me apetece falar mais contigo. Fica para próxima encarnação."