Há algum tempo atrás, alguém que ainda não me conhece bem, disse: "Bem, hoje estás rebelde!"
"Eu sou rebelde.", respondi a sorrir. "Mas hoje em dia, sou uma rebelde controlada e mais consciente. Deixei de ser uma rebel without a cause, para ser uma rebel with several causes."
E fiquei a pensar... tempos houve, principalmente na adolescência (é um pressuposto, não?) em que a minha rebeldia era apanágio da minha forma de estar e de viver. Desafiava constantemente a autoridade fosse ela familiar ou social. Era completamente contra, tudo o que me era imposto de forma autoritária (continuo a ser) e reagia muito mal a certezas, verdades absolutas e a tudo o que era considerado normal (hoje em dia, já as aceito como sendo opções váĺidas para as outras pessoas). Fazia o que me dava na telha, era inconsequente e meio irresponsável.
Claro que a minha relação com os meus pais (principalmente com o meu pai), foi muito afectada e vivemos dias terríveis de conflito. Anos mais tarde, fizemos as pazes e tudo passou, porque o amor que nos unia sempre foi mais forte e de certa forma, muitas coisas positivas sairam desses conflitos, para mim e para eles. O meu pai, que sempre tinha sido autoritário (deformação profissional?), percebeu que mais facilmente chegava a mim, com negociações e com gestos de carinho (aprendeu a dizer "amo-te, filha" e a abraçar à séria, nesta altura). Tornámo-nos nos melhores amigos. Perdíamo-nos em longas conversas, como se tivessemos acabado de nos descobrir um ao outro. Eu entendi que, muitas vezes, o nosso certo torna-se errado quando magoamos os que nos amam e nós amamos.
No meio de tudo isso, tive uma sorte tremenda, porque nunca prejudiquei intencionalmente ninguém e nunca me sabotei como pessoa, nunca caí em vícios nem em grandes tentações. Desses dias, ficou-me um furo extra na orelha e muitos agradecimentos ao enorme anjo-da-guarda que deve tomar conta de mim e que muito deve ter trabalhado, nessa época ;)
Mas...houve um preço. Que eu paguei. E do qual não me arrependo. Fez de mim a pessoa que sou hoje, e ajudou-me a focar no que é realmente importante. E a perceber que na vida há batalhas que devem ser travadas e outras que devem ser abandonadas, porque são estéreis e nada trazem de bom ou construtivo, nem para nós, nem para a sociedade em geral.
Hoje, escolho as minhas causas e mais do que rebelde, considero-me uma eterna inconformada e porque: "Não é sinal de saúde, estar bem adaptado a uma sociedade doente." (Jiddu Krishnamurti)
E vocês? ☺
***