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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Da mudança e da evolução


Acho que o tio Darwin tem razão, não vos parece?
E se biologicamente assim o é, também me parece que o seja a nível emocional e mental. Só os que se adaptam à mudança, conseguem evoluir.
E nos dias que correm, em que somos confrontados com as mudanças a toda a hora, esta capacidade parece-me, mais e mais, necessária. Na parte que me toca, já há algum tempo que deixei de viver na expectativa do amanhã, da mesma forma que também não vivo no passado (vou lá fazer umas visitinhas de vez em quando, mas para as coisas boas, as más não importam). Por isso, o presente é mais importante, nem que não seja, porque acredito que é o que fazemos no presente (seja lá o que fôr) que ditará o nosso futuro.
Quanto à mudança, confesso que às vezes (ainda) me deixa apreensiva, mas como sofro de optimismo crónico, acho sempre que, se ela surge é porque está mesmo na hora de mudar, além de que, pode ser também uma extraordinária oportunidade de descoberta pessoal. E vou na onda :) 

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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Das mães e das irmandades

(photo by Cristian Baitg)

A Irmandade das Mães, mete-me confusão.
Talve seja porque o ditado "Parir é dôr, criar é amor.", é, para mim, uma verdade inquestionável. Ou talvez seja porque continuo a saber de filhos abandonados à nascença, neglicenciados pela vida fora em prol do sucesso (?) dos pais; mães divorciadas dos filhos; filhos abusados e violentados com o consentimento silencioso das mães; de filhos preteridos a tantas outras tretas materiais e manutenção de aparências... não sei, se calhar é pela soma de tudo isto, mas a verdade é que me faz confusão.
Lembro-me de ter passado a ser "a Mãe", em vez de ser "Ana", ainda na maternidade. E se por um lado, me encheu de orgulho e felicidade, por outro lado, pareceu-me que dali em diante, a Ana, a minha individualidade, tinha sido anulada e tinha passado a pertencer à Irmandade das Mães. Mesmo percebendo que era mais fácil para a enfermeira tratar-me por mãe, do que lembrar-se do meu nome, não deixei de me sentir desconfortável. 
Quando voltei ao trabalho, foi com muita estranheza que percebi que colegas com quem não tinha qualquer tipo de afinidade (e nem pretendia ter) e que também eram mães, me aceitavam com prontidão no seio da sua irmandade.  Tinha passado, com sucesso, da Liga das Grávidas para a Liga das Mães. E agora, que já pertencia ao clube, havia regras a seguir... sendo que uma delas, era falar sempre dos filhos, exaustivamente e exclusivamente. Mas o que mais me começou a aborrecer foi a maneira com que se referiam à sua condição de mãe: como se isso as colocasse acima das outras mulheres, com um outro estatuto, ou as promovesse a santas, ou a portadoras inequívocas de amor incondicional (devia ser, mas nem sempre é), sei lá eu... Além de que me irritava sobremaneira, a forma como olhavam para as outras mulheres que não eram mães, como se fossem só mulheres por metade, esquecendo-se que muitas vezes, se calhar não o podiam ser ou não queriam ser.
Acabei por me banir a mim mesma (eu até gosto de grupos, não vou é em grupos, se é que me entendem), porque sempre valorizei a minha individualidade e nunca pretendi preencher algum tipo de vazio emocional através de um filho. Pela simples razão de que um filho, é ele também, um ser individual que deve ser encarado com profundo respeito e como tal, não o vejo (de todo) como um prolongamento de mim mesma (no máximo, como a continuação da minha herança genética). E também, porque encaro a maternidade como uma coisa muito séria, uma tarefa diária  e um compromisso que assumi até ao fim dos meus dias; e não como uma simples definição do que eu sou, um carimbo ou um troféu.
Ser mãe não é só dar à luz. Mães, são todas as que as amam, cuidam, protegem, educam os filhos, quer sejam seus ou dos outros, biológicos ou de coração, diferentes ou iguais, perfeitinhos ou tortos. E nunca se cansam de amar.
E nesta Irmandade, dos que nunca se cansam de amar, sinto-me perfeitamente em casa ;)

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Das sementes

(getty images)
Conhecem aquele sentimento de estranheza/constrangimento quando reencontram alguém de outra vida que vos diz: "Lembraste do que me disseste há muitos anos atrás? Tem-me acompanhado pela vida fora e lembro-me muitas vezes de ti. Continua a fazer tanto sentido, que nem imaginas. Quando estivermos juntos, relembro-te", e vocês ficam completamente a anhar, sem se lembrarem do que foi?
Pois, aconteceu-me ontem. E o que é mais engraçado é que tem acontecido com alguma frequência.
Hoje, vou beber chá, com outra amiga e ex-colega que me considera responsável por uma grande transformação que se deu na vida dela. Estou curiosa, confesso e meio intimidada. Porque não me acho nada disso, e ser responsável por uma mudança assim, é uma grande responsabilidade (passo a redundância). 
Além do mais, acho que na maior parte das vezes (e nestas situações), nós somos assim como que uma espécie de instrumento do universo e que as sementes que possamos lançar, só darão fruto se a terra for fértil e receptível a recebê-las.
(suspiro de conformismo) E, em última instância, se a responsabilidade é de quem semeia,  o mérito é de quem agarrou nas ferramentas e arou, regou, tratou e cuidou.


P.S: sou alérgica a protagonismo. Mesmo. E este post esteve para ser apagado: tem um piquinho a ego :P


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sábado, 14 de janeiro de 2012

Tótó

(photo by Anna Bryukhanova)

Sou um pedaço tótó.  Desconfio que o irei ser até morrer...
Quando fico furiosa com alguém, falo, vocifero, rujo...mas depois de passar a tempestade (um bom tempo depois, que eu não sou santa), basta perceber um pinguinho de sofrimento, na voz ou na expressão da outra pessoa, para ficar preocupada. E, se me procuram ou desabafam, esqueço tudo o que ficou lá para trás e dou por mim, a tentar confortar e dar alento... 
Acontece-me sempre, não consigo evitar. Com o tempo (e as cabeçadas) aprendi a dosear o grau de preocupação que deixo sair cá para fora (porque há quem confunda isso, com outras coisas) e deixei de me entregar completamente à "missão de salvamento" (aprendi a ser egoísta: quem me "salva" a mim?) mas, não consigo não me importar.
Lá está: uma tótó!


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domingo, 1 de janeiro de 2012

It's my party and I cry if I want to


Disse a mim mesma que não o iria fazer, que não iria escrever sobre resoluções para 2012 mas hoje, dei por mim, a reler posts do ano anterior... foi por esta altura que fiquei desempregada. Um ano passou, e a situação mantem-se. Não tem sido fácil, tenho passado por momentos complicados, muitas vezes, sem perceber muito bem para onde me virar, o que fazer, que direcção seguir...
Se por um lado, o subsídio de desemprego me permite viver de forma mais ou menos decente, o facto é de que nunca na minha vida, estive sem trabalhar. E isto por si só, já é motivo de alguma angústia porque me é difícil estar parada. Por outro lado, durante este ano que passou, acompanhei o crescimento do meu filho de uma forma tão intensa que me tornei ainda mais "mãe-galinha". Descobri o quanto ele me faz falta, a imensa alegria que é ser mãe dele, mesmo quando ele é chatinho e caprichoso e o companheiro fantástico que ele é. Aceito que este interregno me foi proporcionado para que eu pudesse estar (ainda) mais presente na vida dele e para que eu aprendesse a viver/sobreviver com pouco mas, ao mesmo tempo, com tanto.
Mas (e eu também me conheço), a inércia é uma tentação terrível, que mina a vontade e me pode conduzir até à beira do abismo. E se há dias em que luto ferozmente contra ela e consigo, outros há, em que fico acabrunhada, meio-perdida, sem rumo. Têm-me valido os amigos que estão sempre presentes e aos quais sou grata, por estarem no meu caminho.
Este é o ano em que tenho que dar uma volta à minha vida. A verdade é que, não estou a ficar mais nova e o mundo do trabalho, não se compadece seja lá com o que fôr. Além de que, ainda me questiono se voltarei ao mercado de trabalho convencional... Muitas interrogações, muitas dúvidas.
Está na hora de lutar e perceber qual é o meu (real) lugar no mundo.
Este é o meu grande desafio para 2012.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Resgatando o Natal ツ

E hoje, a árvore de Natal foi feita ao som deste album (que amo) e desta música, que é uma das minhas canções favoritas de Natal.
Claro que demorámos 3 horas (porque aparvalhámos e brincámos tanto), mas que importa, se foram 3 horas a "fazer memórias"?...



O meu filho, resgatou o meu Natal e com ele, toda a magia desta época.♥

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Back for good?


Há alturas em que me fecho.
Porque me apetece, porque não me apetece, porque é necessário, porque não tenho nada de novo para dizer, porque não gosto de me sentir na obrigação de, porque sou inconstante, porque há alturas em que,  nada do que possa escrever virá trazer algo de novo para mim (e concerteza que não trará para os outros), porque detesto repetir-me, porque sou caprichosa e de neuras, porque tenho aversão a coisas que começam a tomar contornos de rotineiras...
E depois, há alturas em que me apetece, em que tenho necessidade de escrever, de sair cá para fora. Como esta.
Sim, sou uma "oportunista" da escrita. Aproveito-me dela quando me dá na gana e só me dedico a ela, quando ela flui de forma espontânea.
Isto dirá muito acerca de mim, certamente, e quem me ler pode tirar as conclusões que acharem lógicas já que, sempre que aqui escrevo,  exponho-me e revelo facetas do meu carácter e da minha personalidade. Voluntariamente e conscientemente. E de alguma maneira, controladamente. Sim, porque há sempre coisas que não partilho publicamente (por decoro e porque tenho a felicidade de ter dois ou três pares de ouvidos, sempre disponíveis) e isto de blogar tem muito que se lhe diga.
Além do mais, este blogue é pessoal, intimista, sem qualquer propósito doutricional ou coisa que se assemelhe, sem qualquer pretensão de fazer colecção de seguidores. Interessa-me sim, a relação virtual que já estabeleci com alguns de vós, porque gosto de vos descobrir. 
Por tudo isto (e também porque me sentia em falta com vocês), cá estou de novo.
A todos os que enviaram mensagens: não me esqueci de vós, apenas estive ausente. Agradeço a vossa "preocupação" e prometo que se voltar a desaparecer, avisarei. 
Um grande beijinho


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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Hum...


...a que eu estou a começar a achar piada.
Talvez seja o teu sorriso ou talvez seja a minha (inesperada e inoportuna) gaguez, quando trocamos breves palavras...
Talvez seja, a bondade que se desprende da tua voz...ou o carinho com que te despedes.
Mas que te estou a achar piada, ah, lá isso estou!
Ihihihihihihihih!

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pequenos (grandes) detalhes



Há cerca de 2 semanas atrás, reencontrei alguém que já não via há, pelo menos, 10 anos. Por força das circunstâncias (é director da escola do meu filhote, e como o mundo é pequeno, não?), temo-nos visto quase todos os dias.
Numa conversa casual em que aproveitámos para fazer um catch up de cada um de nós, percebi que ele se recorda desses pequenos detalhes. Foi engraçado porque, ao mesmo tempo, fez-me recordar de mim.
E foi uma sensação muito boa :)

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sábado, 1 de outubro de 2011

Luzes pequeninas


Há alturas em que, inesperadamente, uma luz surge no nosso caminho e, embora pequenina, começa a ganhar espaço no nosso coração. 
Sem grandes expectativas, entregamo-nos ao calor que ela nos traz. 
E é tão bom :)

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ai, as mães...

(getty images)

Primeiro dia de escola do filhote.
Ontem, começámos com o pé direito: gostei do director, do coordenador, da professora, das AEC's (Actividades Extra Curriculares), da sala de aula (muita luz natural) e do espaço envolvente, cheio de árvores e muito terreno para brincarem, com campos de jogos e pavilhão desportivo. O filhote estava delirante, com os olhinhos a brilhar muito e com a perspectiva de fazer novos amigos e que fez, logo, logo.
Claro que, hoje de manhã, acordou entusiasmado e cheio de pressa para ir para a escola. De tal forma que chegámos, 30 minutos antes da hora porque não dava para travar tanta impaciência, eheheh!
Ao portão, começaram a chegar mais meninos e nesta altura, senti-me completamente posta de parte, porque ele virou-se para mim e disse-me: "Mãe tenho que ir cumprimentar os amigos." Assim, com este "descaramento"...e foi.
Claro que a partir deste momento, percebi que este puto, têm mesmo a quem sair e que dificilmente, ficará intimidado seja com o que fôr. O que é bom. Aliás, é excelente. Não obstante, a minha (grande) costela de mãe-galinha, ressentiu-se e acusou o toque mas só porque sou uma grande piegas...
O que foi engraçado foi perceber que há mães/pais, mais galinhas/galos (?), do que eu. E enquanto os observava, não pude deixar de me questionar se eu mesma não estaria a fazer as mesmas figuras... Acho que não, porque apesar de ser tudo, prezo muito a independência dele e além do mais, não quero que ele comece a escola com o "estigma de menino da mamã". Sei bem o que os miudos podem sofrer quando são demasiado protegidos e o quanto lhes pode ser difícil a adaptação ao mundo cá fora, longe do núcleo familiar.
E pronto, lá ficou ele alegremente a tagarelar com o colega de carteira, enquanto eu me despedia com um abracinho e ele me brindava com um displicente: "Até logo, mamã." Assim...
Ai as mães...são do caraças, é o que vos digo :)

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sábado, 3 de setembro de 2011

Are you happy?


Por causa da minha sinusite crónica e depois de desistir da abordagem da medicina tradicional, farta de me entupir de medicamentos que, sim, atenuavam os sintomas mas que em contrapartida me presenteavam com outros tantos efeitos secundários (aumento de peso, infecções ginecológicas e até alterações hormonais), decidi consultar um homeopata.
Na altura, recordo-me que já vivia uma fase atribulada no meu casamento e o dito cujo, fez questão de me acompanhar, mesmo durante a consulta (mais tarde, percebi que não era preocupação pelo meu bem-estar, mas pelo que eu poderia dizer acerca dele e do nosso relacionamento).
Confesso que não estava preparada para a abordagem holística da minha maleita e fiquei extremamente surpreendida com as perguntas que o médico me fez. Engasguei (coisa rara em mim), quando ele me perguntou porque é que eu me queria sentir bem...
"Hã?", disse eu, "Porque sim." (que é sempre uma resposta pseudo-inteligente quando se quer evitar um assunto ou não se tem opinião formada.)
Ele sorriu e voltou a insistir.
"Porque quero viver em plenitude.", respondi eu.
"E porquê?"
"Porque só assim se pode ser feliz,"
"E para si, o que é ser feliz? O que é que faz, para se sentir bem?"
"Bolas, este homem não desiste, e já me está a enervar", pensei eu.
A verdade é que, na altura, fiquei paralisada e a única resposta que me saiu, relacionava-se com o meu filho recém-nascido e com coisas que fazia com ele.
De imediato, senti o olhar fixo de reprovação do meu companheiro. Deveria ter sido um wake up call para mim mas, na verdade, nós só vemos o que queremos ver e quando o queremos ver. Também deveria ter funcionado da mesma forma para ele, mas isso seria algo impensável para um narcisista puro.
O médico não insistiu e deu a consulta por terminada, após uma série de recomendações alimentares e do medicamento preparado especificamente para mim (e que se veio a revelar bastante eficaz na redução dos sintomas).
Saí de lá, a remoer na pergunta, ignorando por completo a voz crítica do meu companheiro. Nessa altura senti que uma semente tinha sido deitada à terra e que uma janela muito pequenina se tinha aberto no meu cérebro... e que, mais tarde, se escancarou de par em par.

Tudo isto para dizer, que muitas vezes não nos apercebemos de que estamos infelizes e acomodados, e que é preciso ser confrontado com uma pergunta simples, para que o nosso mundinho seguro e hermético, caia como um castelo da cartas. 
E quando assim é, eu opto sempre por mudar, custe o que custar.
E aqui vos confesso que, até hoje, nunca me arrependi.


P.S.: recordei-me desta situação ao ler o blogue da Drinha e este post, em particular.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Encantamento diário

getty images

Pois, que posso eu dizer ou escrever após dois dias fantásticos de "regresso de filho"?
Pouco ou quase nada, excepto que redescobri a doçura e o enorme prazer que a companhia dele me proporciona, e o encanto que as mais pequenas coisas têm quando estamos juntos.
Chegámos ao final deste dia, com a casa de pantanas, joelhos esfolados e roupas enlameadas mas muito,  muito felizes. E claro, cansados.
Ah, e amanhã vou ensinar-lhe a fazer...uma fisga; com a promessa de que não acertamos nem em seres vivos, nem em propriedade alheia. A ver se não me arrependo...
E, ala pr'a caminha que há que carregar baterias para amanhã ;)

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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pelos olhos das outras pessoas


Não é engraçado, perceber como é que as outras pessoas nos veem? Uma amiga que também é blogueira, descreveu-me assim, no seu The Whole of the Moon :

"Ana. She likes photography, black and white mostly. She loves walking barefoot, has a passion for nature and the utmost respect for all living creatures. A mystical being. An activist. Creative in her struggle to raise a child on her own. Sometimes afraid. Sometimes brave. She is much more than meets the eye. She tries to hide most of her inner beauty but somehow we manage to see it. It shines from within her and there's nothing she can do about it."

Deixou-me com um sorriso nos lábios. Daqueles grandes :)

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Programa, deveras, interessante :P

getty images
Bem, já que o tempo continua farrusco e o S.Pedro faz orelhas moucas às minhas reclamações, a praia fica adiada e vou-me dedicar a uma tarefa, também ela adiada: organizar a papelada que tem sido acumulada numa caixa, mês após mês... (suspiro).
E conhecendo o meu lado obsessivo, cheira-me que não vou ficar só pelos papéis. Já me está a apetecer, redecorar a casa, nem que não seja, mudar os móveis de sítio.
Ai, filhote, fazes-me tanta falta...

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

E hoje, é "dia de neura"


Porque o filhote vai estar fora quase 2 semanas. Duas semanas, sem o meu homenzinho parecem-me neste momento, insuportáveis...
Bem sei que é óptimo que o pai queira passar tempo com ele, que é excelente que o inclua no seu plano de férias, que é fantástico que ele possa passar mais tempo com o pai, sei isso tudo. E fico contente. Pelo filhote e pela relação entre os dois. Este é o meu lado racional que hoje, perde facilmente frente ao meu lado neurótico e de mãe-galinha.
O meu lado neurótico é alimentado por um único e exclusivo sentimento: não confio.
Não confio no pai, não confio na actual e que até há poucos dias era ex-companheira (confusões, confusões), não confio nas opiniões daqueles dois, na falta de  bom-senso que, pelos vistos, não os impede de travar discussões em frente aos filhos, nas directrizes bimbo-intelectualoídes da dita cuja e na tendência para meter a colher aonde não é chamada, nos preconceitos machistas do pai (a do "homem não chora",  e a do "és um maricas", tiram-me do sério), não confio, ponto!
Tenho que o deixar ir porque legalmente, tem esse direito e porque, apesar de tudo, acredito no amor verdadeiro (embora à maneira dele e aqui não critico, porque cada um ama como sabe) que ele nutre pelo filho e que para mim, serve como uma garantia de que o filhote não passará fome (pelo menos enquanto estiver com ele, porque quando não está, já é outra estória).
O meu lado mãe-galinha grita: "Não te queria deixar ir, quero proteger-te sempre, não quero que flixem a tua cabecinha."
E porque sei, acreditem que sei, que quando ele voltar, terei que desembaraçar e desatar todos os nós que se formaram ... (suspiro)
Pronto(s), eu avisei que estava com a neura!

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Tou que nem posso!


A dois dias de ir de férias, ando completamente histérica e excitada (não tenho outros termos para definir o meu estado)!
Feliz porque vou passar uma semana, com pessoas de quem gosto muito e porque, depois da minha separação é a primeira vez que vou para fora, com o filhote. O ano passado, ficámos por cá e acabámos por nos divertir imenso, porque o que conta nestas ocasiões (e em todas, acho eu), é a nossa disposição para as coisas e sabermos tirar partido do que temos.
Mas, dou por mim, a fantasiar, planear, e a construir mentalmente diálogos e situações, tal é a minha excitação :)
Malas ainda por fazer, porque sou rápida nestas coisas e já sei tudo o que vou levar...okay, acabo por enfiar sempre mais uma coisa, à última da hora.
A melhor frase que me define, neste momento, é : "Tou que nem posso!", e já contagiei o filhote, eheheheh!

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mulheres fortes


Tenho uma enorme atracção por mulheres fortes. Reconheço-lhes a força, o espírito que as anima. Independentemente de gostar delas ou não. Ás vezes, nem são simpáticas e certamente que não são politicamente correctas. Por vezes, nem me identifico com elas. Mas admiro-lhes a tenacidade, a coragem, a preserverança.
Tenho a sorte de conhecer e privar com algumas. Aliás, pensando bem, quase todas as minhas amigas (Té, Beta, Vera, Odete, Marta), o são :)
Elas inspiram-me, dão-me alento quando preciso, põe as coisas em perspectiva, emocionam-me com a sua genuinidade, entrega e despojamento.
Este post é dedicado a uma delas em particular: à Luisa.
Amo-te.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

O lado lunar do filhote

(photo by Vladimir Godnik)
Regra geral, é bem disposto, brincalhão, divertido, falador (muito) mas...de vez em quando, dão-lhe umas travadinhas. É como se uma nuvem negra pairasse sobre a cabeça dele e nada do que eu faça, a afasta. E recusa-se a falar, o que me deixa sempre meio exasperada, meio preocupada. Depois amua.
Regra geral, afasto-me. Dou-lhe o tempo e o espaço de que ele precisa para digerir o que quer que seja que o está a incomodar e porque sei, que daí a pouco, ele volta. E vem, de cabeça baixa, meio envergonhado, com voz pequenina e a pedir colo.
Só depois de lá estar, é que começa a desbobinar...conta as mágoas, as tristezas, os dramas sentidos, acompanhados de lágrimas grossas. E eu oiço-o e embalo-o, enquanto tento perceber o que está por detrás de tanto desalento e perturbação. Sim, porque o filhote é esperto e muitas vezes, só conta o que lhe apetece contar, a sua versão da estória. Nestas alturas, tenho que desmontar a conversa toda, insistir nas respostas que ele não quer dar, para perceber tudo, tudinho.
Há vezes, em que leva o sermão da praxe (porque se portou menos bem com alguém ou porque foi desobediente), outras vezes, não. Porque são reclamações genuínas e limito-me a explicar-lhe e a consolá-lo. Estas últimas, sei bem de onde veem e o que as provoca (e de certa forma, estou sempre à espera de ver como é que ele reage a elas).
E ele enrola os bracinhos à volta do meu pescoço, enrosca-se e diz que sou linda.
E eu beijo-o muito e penso sempre: "Tens tanto de doce, como de matreiro. Tal como a tua mãezinha quando era pequenina.".
A nuvem desaparece e a lua dá lugar ao sol.
E ficamos em paz :)

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Acerca da (minha) rebeldia


Há algum tempo atrás, alguém que ainda não me conhece bem,  disse: "Bem, hoje estás rebelde!"
"Eu sou rebelde.", respondi a sorrir. "Mas hoje em dia, sou uma rebelde controlada e mais consciente. Deixei de ser uma rebel without a cause, para ser uma rebel with several causes."

E fiquei a pensar... tempos houve, principalmente na adolescência (é um pressuposto, não?) em que a minha rebeldia era apanágio da minha forma de estar e de viver. Desafiava constantemente a autoridade fosse ela familiar ou social. Era completamente contra, tudo o que me era imposto de forma autoritária (continuo a ser) e reagia muito mal a certezas, verdades absolutas e a tudo o que era considerado normal (hoje em dia, já as aceito como sendo opções váĺidas para as outras pessoas).  Fazia o que me dava na telha, era inconsequente e meio irresponsável.
Claro que a minha relação com os meus pais (principalmente com o meu pai), foi muito afectada e vivemos dias terríveis de conflito. Anos mais tarde, fizemos as pazes e tudo passou, porque o amor que nos unia sempre foi mais forte e de certa forma, muitas coisas positivas sairam desses conflitos, para mim e para eles. O meu pai, que sempre tinha sido autoritário (deformação profissional?), percebeu que mais facilmente chegava a mim, com negociações e com gestos de carinho (aprendeu a dizer "amo-te, filha" e a abraçar à séria, nesta altura). Tornámo-nos nos melhores amigos. Perdíamo-nos em longas conversas, como se tivessemos acabado de nos descobrir um ao outro. Eu entendi que, muitas vezes, o nosso certo torna-se errado quando magoamos os que nos amam e nós amamos.
No meio de tudo isso, tive uma sorte tremenda, porque nunca prejudiquei intencionalmente ninguém e nunca me sabotei como pessoa, nunca caí em vícios nem em grandes tentações. Desses dias, ficou-me um furo extra na orelha e muitos agradecimentos ao enorme anjo-da-guarda que deve tomar conta de mim e que muito deve ter trabalhado, nessa época ;)
Mas...houve um preço. Que eu paguei. E do qual não me arrependo. Fez de mim a pessoa que sou hoje, e ajudou-me a focar no que é realmente importante. E a perceber que na vida há batalhas que devem ser travadas e outras que devem ser abandonadas, porque são estéreis e nada trazem de bom ou construtivo, nem para nós, nem para a sociedade em geral.
Hoje, escolho as minhas causas e mais do que rebelde, considero-me uma eterna inconformada e porque: "Não é sinal de saúde, estar bem adaptado a uma sociedade doente." (Jiddu Krishnamurti)

E vocês? ☺
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