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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tristinhos

(getty images)

O Tobias, estava doente há 3 dias.
O Tobias é (era) o peixinho dourado do meu filhote, oferecido pelas manas.
O Tobias, morreu pela madrugada...dei conta, porque me levantei da cama, algumas vezes para o ir ver.
De manhã, levei o filhote à cozinha, para junto do aquário.
O filhote, chorou muito, com lágrimas gordas, abraçadinho a mim, enquanto repetia:"Ó mamã, o Tobias era o melhor peixe do mundo e de todo o universo!" 
Eu chorei também, com o coração apertadinho.
Preparámos uma caixinha de cartão, forrada com papel-crepe azul (a côr favorita do filhote e, nas palavras dele, para o Tobias se sentir no mar), para o sepultar.
Depois das aulas, fomos até à ribeira que fica perto de casa, com a caixinha de papel-crepe azul.
O filhote quis fazer um discurso. Disse que o Tobias era muito amoroso, que tinhamos tentado salvá-lo, que lhe demos remédios, mas não tinhamos conseguido,  e que percebeu que ele estava muito doentinho e por isso, tinha morrido. Fizemos uma prece, agradecendo à Mãe-Natureza pelo tempo que o Tobias esteve connosco, devolviamos-lhe agora o seu corpo, ficando só com as lembranças de como ele jogava às escondidas por entre as plantas ou como ele subia rápidamente até ao cimo do aquário, na hora da paparoca, e sorrimos.
Despediu-se do Tobias e entregou-o ao céu dos peixinhos (que para ele é o mar e, como a ribeira vai ter ao mar...).
Voltei para casa, com o filhote ao colo.

P.S: Primeiro contacto próximo do filhote, com a morte (suspiro). A ver como ele lida com este sentimento; vou estar atenta nos próximos dias.

***

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Memórias de Carnaval


Hoje em dia, não acho muita piada ao Carnaval. Até há alguns anos atrás, vivia com intensidade esta época: como nasci e cresci num bairro popular de Lisboa, com tradições enraizadas de festas, fantasiava-me a preceito e com o grupo habitual, corria bailaricos nas colectividades de outros bairros (quantos namoricos não começaram e acabaram assim). Recordo-me também, de Carnavais em Torres Vedras e de sairmos do corso, completamente encharcados, cobertos de serradura e papelinhos, eheheheh!
Depois, talvez porque mudei de casa e o grupo se desfez, deixou de fazer sentido. Além de que as brincadeiras que hoje se fazem no Carnaval, são um bocado estúpidas. Regra geral são partidas de mau gosto e resumem-se a atirar balões de água, ovos e farinha, às pessoas que passam tranquilamente na rua ou, mais grave ainda, que circulam na estrada. Confunde-se brincadeira com vandalismo e o espirito folgazão do Carnaval, perdeu-se completamente.
E depois, há sempre aquelas pessoas que, como não brincam durante o resto do ano, aproveitam-se desta época para serem parvinhos (mais do que já são, nos outros dias)...

Deste Carnaval, fica-me a memória de uma frase do meu filho.
Habitualmente, não fica muito entusiasmado. Talvez porque, cá em casa, dia sim, dia sim, brinca-se ao faz-de-conta e a única diferença é que nesta época, pode levar o disfarce para a rua e para a escola :)
Este ano, surpreendeu-me e deixou-me comovida. Fez questão de se fantasiar e quando o acabei de vestir, foi olhar-se ao espelho e perguntou-me: "Mãe, achas que o avô ia gostar de me ver assim? Estou igual a ele, naquela foto, não estou?".
Desarmou-me completamente. Emocionou-me até às lágrimas e enquanto o abraçava, respondi-lhe: "Sim, filho. O avô ia adorar ver-te assim. És lindo, meu amor!"
E fiquei a imaginar como ficaria o meu pai, se o visse assim...


***

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

I guess I'm on the right track

(photo by Patrisha Tomson)

Hoje, a caminho de casa, depois de ir buscar o filhote à escola, aproveitámos (como sempre) para pôr a converseta em dia, com as perguntas do costume ("Como foi o teu dia? Portaste-te bem? O que aprenderam hoje?..."), ele interrompe-me e diz:
"Mãe, tenho uma coisa para te dizer e que me fez irritar."
"O que foi?", pergunto-lhe eu, pensando que ele se tinha chateado com a namorada ou com o melhor amigo dele ou...
"Vieram cá uns senhores à escola e deram bilhetes para ir ao circo.", diz-me ele,  com uma expressão meio carregada.
 Suspiro e digo-lhe: " Ai sim? Deixa lá ver."
"Não podes ver. Eu rasguei o bilhete."
"Então? Porquê?", respondo-lhe eu, surpreendida.
"Porquê? Porquê, mamã? Então tu não sabes que eu não gosto de ver os animais no circo, presos nas jaulas, coitadinhos. Eles não podem correr, nem brincar como eu!", diz-me ele, muito vermelho.
Eu sorrio e digo: "Pois é filho, é uma crueldade e devia ser proibido. Também não gosto nada. Já sabes o que penso sobre esse assunto."
"E sabes pior? As pessoas têm que dar euros para entrar e ver animais tristes...eu não dou, não gosto de ver animais tristes e por isso rasguei o bilhete. Ficas chateada?"
Eu sorrio muito, baixo-me, afago-lhe o cabelo e digo-lhe: "O que é que achas? Pareço-te chateada?"
Ele sorri de volta, abraça-me e lá continuamos o nosso caminho.

São conversas como estas, que me fazem perceber que estou no bom caminho  e no meu propósito de criar e educar um ser humano melhor. E me deixam orgulhosa, também :)

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ah-ah, chegou a tua vez...

(photo by Doreen Frake)

Pois é, Fada dos dentes, ficas a saber que esta noite vais ter que passar cá por casa, mais precisamente pelo quarto do filhote porque (finalmente) ele tem um dente para ti!
E nem adianta refilares ou tentares regatear, porque ele só pede que lhe pagues com uma moeda. Sem isso, não há negócio :)

***

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Os meus presentes de Natal


Ontem, enquanto desmontava a árvore de Natal com a ajuda do filhote, a cantarolar canções inventadas por nós ("Adeus árvore, até ao próximo Natal. Adeus luzinhas, que bem que iluminaram. Adeus bolinhas, adeus estrelinhas...), dei por mim a concluir que foi um bom Natal.
E enquanto embrulhava e guardava nas caixas, as bolas, os bonecos de neve, as estrelas e as fitas, também guardava no meu coração, os meus presentes deste ano:

  • As expressões de alegria e o brilho nos olhos do meu filho, enquanto desembrulhava as prendas, na noite de consoada (não deu para aguentar até à manhã seguinte.).
  • O amor dos meus amigos, as conversas, os silêncios,  as mãos dadas e o calor dos abraços.
  • O meu chama-anjos, liiiiiindo de morrer (love you, Lu)
  • O vaso de begónias,  o chá de frutos vermelhos e o carinho da minha I.
  • O doce mágico, feito pelas mãos da S. e dos filhotes, e a etiqueta que o acompanhava, tão deliciosa quanto o doce (Doce Mágico: consumir moderamente. Contem elevadas doses de Amor, Alegria, Magia, um pouco de Mistério e um desejo muito especial de Natal.).
E sorri. Sorri tanto, que o filhote me disse: "Mãe, tens que desmanchar mais vezes a árvore de Natal." :)

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Coisas que o filhote me diz

(photo by Annette Bunch)

Filhote: "Mãe, tenho uma nova namorada."
Eu: "Ai, sim? Como é que ela se chama?"
Filhote: "Joana. E eu gosto dela, de amor a sério e ela gosta de mim, de amor a sério. E andamos de mãos dadas. "
Eu, sorrindo: "Ah, eu vi. Só largaram as mãos quando chegaram ao portão da escola."
Filhote: "Sim. Não te importas, pois não? Ela deu-me um beijinho aqui (apontando para a bochecha e esfregando devagarinho). E continuo a amar-te até ao espaço sideral."

Comi-o com beijinhos enquanto ele me dava um abraço muito doce.

♥ ♥ ♥

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A melodia da natureza


Há uma melodia que me encanta e me transporta até à infância, quando piso folhas secas... hoje revisitida a caminho da escola, com o filhote pela mão.

É tão bom, voltar a ser pequenino :)

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Resgatando o Natal ツ

E hoje, a árvore de Natal foi feita ao som deste album (que amo) e desta música, que é uma das minhas canções favoritas de Natal.
Claro que demorámos 3 horas (porque aparvalhámos e brincámos tanto), mas que importa, se foram 3 horas a "fazer memórias"?...



O meu filho, resgatou o meu Natal e com ele, toda a magia desta época.♥

***

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ai, as mães...

(getty images)

Primeiro dia de escola do filhote.
Ontem, começámos com o pé direito: gostei do director, do coordenador, da professora, das AEC's (Actividades Extra Curriculares), da sala de aula (muita luz natural) e do espaço envolvente, cheio de árvores e muito terreno para brincarem, com campos de jogos e pavilhão desportivo. O filhote estava delirante, com os olhinhos a brilhar muito e com a perspectiva de fazer novos amigos e que fez, logo, logo.
Claro que, hoje de manhã, acordou entusiasmado e cheio de pressa para ir para a escola. De tal forma que chegámos, 30 minutos antes da hora porque não dava para travar tanta impaciência, eheheh!
Ao portão, começaram a chegar mais meninos e nesta altura, senti-me completamente posta de parte, porque ele virou-se para mim e disse-me: "Mãe tenho que ir cumprimentar os amigos." Assim, com este "descaramento"...e foi.
Claro que a partir deste momento, percebi que este puto, têm mesmo a quem sair e que dificilmente, ficará intimidado seja com o que fôr. O que é bom. Aliás, é excelente. Não obstante, a minha (grande) costela de mãe-galinha, ressentiu-se e acusou o toque mas só porque sou uma grande piegas...
O que foi engraçado foi perceber que há mães/pais, mais galinhas/galos (?), do que eu. E enquanto os observava, não pude deixar de me questionar se eu mesma não estaria a fazer as mesmas figuras... Acho que não, porque apesar de ser tudo, prezo muito a independência dele e além do mais, não quero que ele comece a escola com o "estigma de menino da mamã". Sei bem o que os miudos podem sofrer quando são demasiado protegidos e o quanto lhes pode ser difícil a adaptação ao mundo cá fora, longe do núcleo familiar.
E pronto, lá ficou ele alegremente a tagarelar com o colega de carteira, enquanto eu me despedia com um abracinho e ele me brindava com um displicente: "Até logo, mamã." Assim...
Ai as mães...são do caraças, é o que vos digo :)

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Relato de uma semana de férias

Voltei!
Uma semana fantástica, passada em pleno Minho, rodeada de muito verde, árvores para abraçar, o som hipnotizante de um rio que nos embalava à noite e despertava pela manhã e a casa, implantada num declive, completamente isolada e longe de tudo.
   
A casa
O rio


















O café mais próximo ficava a 2 Kms e que descobri aquando da visita da família Vicente que nos trouxe, finalmente, a linda Inês, a bébé que ainda só conheciamos através das (montanhas de) fotos trocadas por email e tal, e pela qual ainda ficámos mais apaixonados.
Manhãs frescas e noites encantadas, deitadas a admirar a Lua e a ver estrelas cadentes (sim, vimos algumas e foi uma grande emoção, eheheh!). Apanhámos amoras e até houve quem conseguisse ver um esquilo (com muita pena minha e da siamesa, que não vimos). Muitas abelhas para nos chatearem a moleirinha, e rãs pequeninas, pequeninas que pareciam posar para a máquina fotográfica.
Caminhadas pelo rio de águas geladas (ao ponto de deixarmos de sentir os dedos dos pés) e consequentes quedas e arranhões e nódoas negras (que nos deixaram as pernas impróprias para usar vestidos, curtos, pelo menos), e ao cimo do monte, até à velha (reconstruída) igrejinha da Nossa Senhora da Pena. Esforço recompensado pela paisagem maravilhosa que se avista lá de cima e pela sombra generosa de árvores seculares. Conversetas com os moradores locais, pelo caminho. E o cheiro, aquele cheiro de árvores e musgo e terra húmida!!! E gargalhadas, sempre muitas gargalhadas!
Quase, quase a chegar...
A vista fantástica e aquele ar maravilhoso ;)

A igrejinha da Nossa Srª da Pena
Muita ronha e sem obrigações de horário, entregues ao encanto do tempo sem tempo, só respondiamos aos sons dos nossos estômagos... que eram exigentes e refilões. Aliás, engordei um quilo ou dois, nem sei bem e também não estou muito preocupada.; culpa daquele ar maravilhoso.
O filhote, que andava meio parvo, coitadinho, no primeiro dia (talvez pela excitação ou talvez porque nunca tinha estado com tanta gente numa casa só), acabou por se habituar ao ritmo de todos nós. E até conseguiu vencer o medo dos cães, graças ao doce e brincalhão Pepper, um dos cães mais queridos que já conheci. Aliás, uma das imagens que guardo com mais "espanto", é a foto do Pepper a dormir aninhado nas pernas do meu filhote que, tranquilamente, lhe coloca a mão sobre o dorso.

O filhote e o amigo de brincadeiras, Pepper, descobrindo os segredos das bolotas.

No meu aniversário, tive direito a um bolo fantástico, feito pelas mãos da minha siamesa que alquimicamente, transformou um bolo simples, numa delícia para o paladar e para os olhos. Decorado com flores silvestres, bolotas e folhas de carvalho (com a ajuda do  marketer de serviço), ficou lindo!!!!
Muita  parvalheira e presentes fantásticos, carregadinhos de emoções, não fosse a própria viagem um presente maravilhoso por si só. E foi uma semana de muito amor, muitos abracinhos, ralhetes e descobertas. 
Um pai e marido dedicado, o Paulo e que aos poucos se foi dando a conhecer e revelou a sua veia humorística, a minha doce Vera que adoro abraçar e que me faz sentir "tia", o nosso pescador de serviço, o Nuno, um miudo descomplicado e preserverante (ao 3º dia, lá consegui pescar, com alguma pena nossa, um peixinho pouco maior do que o isco)  e o João, o mais velho, com voz grossa e mais reservado (e dorminhoco) mas que de vez em quando apanhávamos a sentar-se no colo do pai (coisa linda de se ver, porque o João é um marmanjão com 1,80 m +/-)
Uma familia linda, generosa, e onde abundam os gestos de amor e que me fizeram sentir como há muito não sentia.
Voltámos de coração cheio, muitas recordações e já cheios de saudades...passou tão rápido!
E foi assim...agora, que voltámos à cidade, apanhei uma tremenda de uma conjuntivite que me impediu de escrever nestes dias, porque mal podia abrir os olhos (grrr) e me faz desconfiar de que estou a ficar alérgica a estes ares.
Como diz a Lu, somos umas campestres, eheheheh!

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

O lado lunar do filhote

(photo by Vladimir Godnik)
Regra geral, é bem disposto, brincalhão, divertido, falador (muito) mas...de vez em quando, dão-lhe umas travadinhas. É como se uma nuvem negra pairasse sobre a cabeça dele e nada do que eu faça, a afasta. E recusa-se a falar, o que me deixa sempre meio exasperada, meio preocupada. Depois amua.
Regra geral, afasto-me. Dou-lhe o tempo e o espaço de que ele precisa para digerir o que quer que seja que o está a incomodar e porque sei, que daí a pouco, ele volta. E vem, de cabeça baixa, meio envergonhado, com voz pequenina e a pedir colo.
Só depois de lá estar, é que começa a desbobinar...conta as mágoas, as tristezas, os dramas sentidos, acompanhados de lágrimas grossas. E eu oiço-o e embalo-o, enquanto tento perceber o que está por detrás de tanto desalento e perturbação. Sim, porque o filhote é esperto e muitas vezes, só conta o que lhe apetece contar, a sua versão da estória. Nestas alturas, tenho que desmontar a conversa toda, insistir nas respostas que ele não quer dar, para perceber tudo, tudinho.
Há vezes, em que leva o sermão da praxe (porque se portou menos bem com alguém ou porque foi desobediente), outras vezes, não. Porque são reclamações genuínas e limito-me a explicar-lhe e a consolá-lo. Estas últimas, sei bem de onde veem e o que as provoca (e de certa forma, estou sempre à espera de ver como é que ele reage a elas).
E ele enrola os bracinhos à volta do meu pescoço, enrosca-se e diz que sou linda.
E eu beijo-o muito e penso sempre: "Tens tanto de doce, como de matreiro. Tal como a tua mãezinha quando era pequenina.".
A nuvem desaparece e a lua dá lugar ao sol.
E ficamos em paz :)

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terça-feira, 14 de junho de 2011

Pequenos gestos


"Feliz aquele que consegue ver e demonstrar o amor em gestos e não em palavras." - Eneias
 
Há coisas que me aquecem o coração. Que me fazem perceber o sentimento que os outros têm por mim, a gentileza da amizade mais pura.
São, quase sempre, coisas simples, pequenos gestos. Como o que recebi há pouco tempo: uma pequena encomenda postal contendo uma vieira, fotos e uma pequena nota, enviada por um amigo de longa data (daqueles que fazem parte das minhas "pessoas especiais"), lembrança de uma peregrinação a Santiago de Compostela.
Uma simples lembrança, com toda a carga do que nos une e que me emocionou profundamente porque:
  • ele sabe da minha tremenda ligação a Santiago
  • ele lembrou-se de mim, na sua peregrinação
E apesar de vivermos longe um do outro, estarmos meses sem nos vermos ou falarmos, a nossa amizade prevalece e tem sobrevivido ao desgaste do tempo.

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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Desejo tornado realidade...

Fazem hoje 5 anos, que partilho a minha vida com um ser maravilhoso: o meu filho.
Ontem, enquanto folheava o seu album de bébé e revia, com  alguma nostalgia, fotografias, encontrei este texto que escrevi há muitos anos atrás. Lembro-me que foi na altura em que o famigerado "relógio biológico", deu sinal de vida.
E pela primeira vez, senti uma necessidade, uma urgência, um tremendo desejo de ser mãe.
Passo a transcrever:

"Quero ser mãe.
Quero sentir o milagre da Vida, a acontecer dentro de mim.
Quero poder ter o privilégio de gerar outro ser.
Quero o volume do abdómen, mês após mês.
Quero todas as modificações maravilhosas que acontecem no corpo de uma mulher.
Quero afagar a barriga e transmitir-lhe todo o meu amor. enquanto lhe conto e lhe canto estórias de amor e encanto.

Quero poder amar esse ser, como nunca amei nada, nem ninguém.
Quero sentir-me fêmea.
Quero parir. Quero todos os cheiros e sensações.
Quero as dores, quero tudo!
Quero cuidar da minha cria.
Quero amamentar.
Quero sentir esse instinto primário e sublime.

E imagino-me com um filho nos braços. Pele na pele. Fundido em mim e eu nele.
E sem o conhecer, já o adoro!
Sei que um dia, ele virá. E que o meu mundo nunca mais será o mesmo." 

(Escrito a 4/8/2000)

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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Missão cumprida

(getty images)

Hoje, o filhote perdeu o medo de andar de bicicleta!!!
E após 3 horas de pedalada, amanhã já tem corrida marcada com um novo amiguinho que fez no parque.
"Criei um monstro", eheheheh!

Estou muito orgulhosa. De mim e do filhote.

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Stay cool" ou, quem é o adulto e quem é a criança


Hoje, o meu filho deu um novo significado á expressão "stay cool".
A meio de um passeio pela serra de Sintra e antes de chegar ao sitio escolhido, ele pede-me para parar porque precisa fazer xi-xi. Encosto o carro á berma, ligo os intermitentes e levo-o até uns arbustos. Depois da bexiga aliviada, ele diz-me: " Mãe, que árvores tão lindas! Vamos dar abraços?"
Nem pensei duas vezes. E lá ficámos nós, entregues ao abraço e eu completamente embevecida a olhar para ele.
"Já podemos ir, mãe? Tenho fome.", diz-me. "Claro, vamos lá. Ainda não chegámos ao lugar de que te falei."
De volta ao carro...o carro não pega!!!! Não sei quanto tempo estivemos parados, com o raio dos piscas ligados...mas o carro não pegava nem por nada. Grrrrr....parada numa berma, em sentido ascendente, sem rede no telemóvel, sozinha com uma criança de 4 anos, não me parecia de todo, o cenário idílico que tinha pintado para este passeio.
Tentei ligar o carro de novo, e nada. E mais uma vez, e nada. Decidi esperar uns minutos e tentar de novo. Desta vez, foi quase, Raios partam a minha loiriçe de ter deixado os piscas a funcionar, por não sei quanto tempo!!! E depois, nunca tal coisa me tinha acontecido.
Confesso que durante uns minutos, fiquei sem saber muito bem o que fazer. E ele percebeu...
Expliquei-lhe o que se estava a passar com o carro e que tinhamos que voltar á vila, para conseguirmos telefonar e pedir ajuda. Pensei que ele ia protestar, mas riu-se e disse: " Mãe, eu levo as bolachas e tu levas a água, está bem? E podemos procurar cogumelos..."
Completamente desarmada e aparvalhada, desatei-me a rir e começámos a descida.

Passados cerca de 10/15 minutos, passa por nós um reboque (!!!) e que faz voltar à vida o meu carro, sob o olhar fascinado do meu filho que a caminho de casa, me diz que quer ser mecânico, para ajudar pessoas aflitas....
Ahahahahah!
STAY COOL, indeed :)))

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domingo, 18 de julho de 2010

Frases e palavras feias

Uma das minhas preocupações em relação á educação do meu filho, como ser humano, é de que seja bem-educado e respeitoso para com os outros, mesmo que tenham opiniões diferentes das nossas. Aceitar e compreender as diferenças, no fundo...
Sendo possuidor de uma personalidade forte, ele nunca aceita o que se lhe diz, só porque sim (o que eu muito aprecio e de certa forma, até encorajo). Tenho sempre que lhe explicar e exemplificar.
Ele é tão bem comportado que, de vez em quando, permito-lhe não o ser.
Ou seja, há alturas em que lhe digo: " Vamos dizer disparates?"

O que se segue é uma parvoice pegada, em que cada um diz as coisas mais disparatadas que consegue. Tendo ele, 4 anos, a noção de "disparates" está agora associada a palavras ou frases feias: "és um cócó", "saco de pums", "meias chulentas", "ó palhaço", "és um badalhoco".
Qualquer uma delas, lhe arranca uma gargalhada estrondosa, daquelas deliciosamente patetas... sabendo já de antemão que está a dizer uma "coisa proibida".
Este exercício serve de descompressão para ele e para mim... que continuo a gostar de "aparvalhar", como bem sabem.

Pois, ontem, conseguiu impressionar-me quando, no meio dos disparates, com um ar muito sério me disse: "Mãe, descobri uma frase muito feia. E que faz doi-doi ás pessoas. E que elas ficam tristes e até choram. E não devemos   dizer."
"Ai, sim? E qual é, filhote?"
"ODEIO-TE", respondeu ele. "É a mais feia de todas, não achas?"

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Anda uma mãe a criar um filho....

Tenho uma condução tranquila. Raramente me irrito quando estou ao volante. Nem mesmo quando vejo azelhices a acontecerem á minha frente. E sou mais prudente, quando trago o meu filho no carro.
Mas hoje de manhã, conseguiram-me "tirar do sério".
Ainda gostava de saber, porque é que a grande maioria dos condutores, ignora o formato de uma rotunda. Meus senhores, uma rotunda é circular e a circulação faz-se nesse sentido. Pois....
Pois então, hoje de manhã, quase a chegar ao colégio do filhote, quase fui abalrroada por uma idiota que vinda do lado esquerdo, tenta sair para a direita a jeitos de fussangice. A cena desenrola-se em modo flasback porque há 1 ano atrás, tive um acidente, numa rotunda, da mesma forma. Talvez por isso, consegui desta vez, evitar a batida. Tudo tranquilo, tudo na boa. Sim? Não !!! Então não é que a "sinhora" me lança uma valente buzinadela!!!  What???? Para não dizer uma asneira cabeluda (o filhote está lá atrás), respondo com outra, furiosa.
De repente, ouço uma vozinha: " Oh palhaço !!! Oh estúpido palhaço !!!"
Rio-me para dentro. Muito.
Claro que a seguir, explico-lhe que não devemos insultar as pessoas e blá, blá, blá.... e que apesar de, neste caso termos razão para protestar não devemos ser tão estúpidos como o (a) palhaço(a).
Ele percebe. E ri-se. E rimos os dois.
E penso: "Anda uma mãe a criar um filho, tentando passar-lhe regras de boa educação e civismo e depois, aparece um PALHAÇO e estraga tudo..."

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domingo, 6 de junho de 2010

Dias de bolas de sabão

De volta do país do faz-de-conta... Feliz, como a minha criança. E cansada como ela. Adoro estar com o meu filho.
Adoro particularmente, quando ele me diz muito sério: "Mamã, gosto de ti". Que traduzido quer dizer : "Diverti-me tanto contigo. Gosto de estar contigo", que é a melhor coisa que ele me pode dizer.
Dias mágicos e cúmplices, com cheiro a pipocas e sons de gargalhadas...

***

sábado, 29 de maio de 2010

A sabedoria simples das crianças


De quando em quando, o meu filho premeia-me com tiradas absolutamente fascinantes.
A caminho do colégio, pergunta-me:
"Mamã, as pessoas más estão doentes, não é? Doentes do coração, não é?"
Sorrio e sem me dar tempo para responder, ele diz: 
"Coitadinhas, têm o coraçáo partido, por isso é que são más. Não funciona, está estragado".
"Sim filho, de certa forma estão doentes", digo eu, ainda sem saber muito bem como explicar este conceito a um rapazinho de 4 anos.
"E se fizermos miminhos e dermos beijinhos, o coração fica bom?"
"Sim, provavelmente começa a ficar bom. E sabes, devemos mesmo ter pena dessas pessoas porque muitas delas, nunca tiveram nem beijinhos, nem miminhos e por isso é que o coração delas, ficou doente."
Olho para o seu pequeno rostinho e vejo os olhos a iluminarem-se ainda mais.
Ele sorri e diz: "Então, temos que dar muitos beijinhos e miminhos a toda a gente, para não serem más."
O meu coração fica quentinho ao ouvi-lo.
E agarro-o e devoro-o com beijos misturados com as suas gargalhadas...

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

O encanto dos meus finais de tarde

Sair do trabalho a correr, para ir buscar o filhote á escola e ainda passar pelo supermercado (esqueço-me sempre de alguma coisa!), poderá parecer tudo menos encantador.
Mas a verdade é que o é. Assim que entro no carro, ligo o rádio e o rosto do filhote começa a desenhar-se na minha cabeça. A irritação e/ou o cansaço começam a desaparecer por magia.
E quando chego á porta do colégio, a Ana passa a ser Paula e o mundo transforma-se. Todo o meu ser se volta, se aconchega naquele sorriso maravilhoso e naqueles olhos brilhantes e sempre cheios de entusiasmo. O caminho até ao supermercado, transforma-se num relato fantástico do que foi o dia dele e tudo serve para rir e dizer disparates. E ouço-me a rir alto e delicio-me com este estado. Pelo espelho, vejo as caretas dele e apaixono-me mais uma vez, perdidamente por este ser maravilhoso que partilha a sua vida comigo.
Supermercado é palco de mais parvoeiras e o bom  humor e a tagarelice deste miudo contagiam toda a gente. Principalmente quando chegamos á caixa e ele faz sempre questão de me ajudar a colocar as compras nos sacos. E o ar de orgulho que faz, quando lhe agradeço? Hilariante. E doce, muito doce, o meu filhote.
Hora do banho, hora do "faz-de-conta". Pois, porque ele gosta de encher a banheira para criar batalhas entre Gormittis e sapos e patos de borracha. E descobriu que um dos sapos, quando encostado á barriga dele e pressionado com força, faz um som semelhante a um pum. E ri-se a bandeiras despregados, uma gargalhada limpida e simplesmente encantadora. Tenho que pôr o meu ar mais sério para lhe dizer que não tem tanta graça assim, mas a verdade é que regra geral, desmancho-me a rir, lá para o 3º ou 4º pum do sapo.
Jantar, é muito comportado, quer comer como os adultos  com os talheres todos porque já não é bébé, diz-me ele.
Depois é hora do mimo, quer colinho enquanto vemos o programa preferido dele que deixei a gravar : Martim Manhã, um menino que todos os dias ao acordar é uma personagem diferente. 
Hora de lavar os dentes, mais brincadeira. Enquanto ele escova os dentes eu agarro na escova de lavar as costas e fingo que lavo os meus enquanto lutamos pelo espelho.
Hora da caminha, história lida ou inventada na hora com sombras na parede, feitas com os nossos dedos. Hora do beijinho e do abracinho de boa noite, muito apertadinho e gostoso. 
"Dorme com os anjos, meu amor. Até amanhã"
E sempre, quando já estou a fechar a porta:
"Mamã? " 
"Sim, filho?" 
"Gosto muito de ti, adoro-te." 
"Eu também, meu amor. Adoro-te".

Percebem agora o encanto dos meus finais de tarde?

 

***